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Opinião & Análise

O criador do Claude Code diz que 2025 é o último ano em que engenheiros são empregáveis

Felipe Luis Salgueiro

5 de maio de 2026 · 8 min de leitura

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Boris Cherny criou o Claude Code como uma ferramenta para si mesmo. Não para o mercado. Não como produto. Para editar código mais rápido. Quando Dario Amodei, CEO da Anthropic, descobriu que ele estava forçando colegas a usar — decidiu transformar em produto oficial.

Em entrevista recente, Cherny fez a declaração que ninguém esperava ouvir de quem construiu a ferramenta: "2025 pode ser o último ano em que engenheiros de software são empregáveis."

O criador da ferramenta que automatiza engenharia de software acredita que ela vai tornar engenheiros obsoletos. Se isso não é um sinal, o que é?

Quem é Boris Cherny e por que a declaração importa

Cherny não é um comentarista de tecnologia. É o engenheiro que construiu o Claude Code — a ferramenta que permite a um agente de IA ler código, editar arquivos, executar testes, commitar no Git e deployar sistemas completos com supervisão mínima humana.

Sua declaração carrega peso diferente de qualquer analista ou investidor que faz previsões sobre o futuro do trabalho. Ele não está especulando sobre o que a IA vai fazer. Ele construiu o sistema que já está fazendo — e sabe exatamente o que está vindo em seguida.

O detalhe revelador: "Não editei uma linha de código à mão desde novembro de 2024." Isso não é metáfora. É relato técnico de como ele trabalha.

O que o Claude Code realmente faz (sem a versão de marketing)

Claude Code não é um autocomplete sofisticado. É um agente que opera em loop: lê o repositório, entende o contexto, executa ações, testa o resultado, corrige erros, repete. A diferença para um engenheiro trabalhando é menor do que parece — e está diminuindo.

O que o Claude Code já faz em projetos reais:

  • Lê e navega repositórios complexos sem instrução manual de estrutura
  • Escreve, refatora e debugga código com contexto de múltiplos arquivos
  • Executa testes e interpreta falhas sem intervenção humana
  • Cria PRs, commita com mensagens descritivas, gerencia branches
  • Integra com ferramentas de CI/CD e responde a falhas de build

Cherny admite que a ferramenta ainda não permite ser "totalmente hands-off". A supervisão humana ainda é necessária. A questão é: por quanto tempo?

O que muda quando o criador da ferramenta diz isso

Há uma diferença importante entre dois tipos de declaração sobre automação de trabalho. A primeira vem de quem observa de fora e projeta tendências. A segunda vem de quem está dentro do sistema, vendo o que o mercado ainda não viu.

Cherny está na segunda categoria. E a declaração sobre 2025 ser o último ano de empregabilidade dos engenheiros não é projeção — é observação de quem trabalha com a ferramenta diariamente e sabe onde ela está hoje versus onde estava seis meses atrás.

A velocidade de melhoria dos agentes de código em 2024-2025 foi sem precedente histórico. O que mudou em 12 meses é comparável ao que levou décadas em outras transições tecnológicas.

O que isso significa para quem não é engenheiro de software

Se você não escreve código, a declaração de Cherny pode parecer distante. Não é. A mesma dinâmica que está acontecendo com engenharia de software está acontecendo — com defasagem de 12 a 24 meses — em design, copywriting, análise de dados, atendimento especializado, contabilidade e direito.

A diferença não é "IA vai substituir minha profissão?" A pergunta certa é: "O que a IA ainda não consegue fazer na minha profissão que eu deveria estar desenvolvendo agora?"

Para engenheiros, a resposta de Cherny é implícita na sua própria trajetória: ele parou de editar código e começou a orquestrar agentes. A habilidade que ficou não foi técnica — foi de julgamento. Saber o que construir, por quê construir, quando parar, como avaliar se o agente está indo na direção certa.

A ironia que o mercado não discute

O Claude Code foi incluído nos planos Team e Enterprise da Anthropic em agosto de 2025. Isso significa que empresas estão pagando para ter acesso a uma ferramenta que o próprio criador acredita que vai tornar obsoleta parte da força de trabalho dessas mesmas empresas.

Não há contradição. É exatamente como funcionam as transições tecnológicas: a ferramenta que elimina a função é vendida para quem ocupa a função — porque no curto prazo ela aumenta produtividade, e as consequências estruturais de longo prazo são externalizadas para o mercado de trabalho.

A questão não é se isso é bom ou ruim. A questão é o que você vai fazer enquanto a janela está aberta.

O que fazer com essa informação

Cherny não disse que engenheiros vão desaparecer amanhã. Disse que 2025 pode ser o último ano em que o emprego de engenheiro de software existe na forma atual. A distinção importa.

O que está acontecendo é uma compressão de função: o engenheiro que leva 8 horas para implementar uma feature compete com o engenheiro que leva 45 minutos usando Claude Code. Em mercados competitivos, uma empresa precisa de menos do segundo tipo do que precisava do primeiro.

Para quem constrói com IA — founders, gestores, profissionais que orquestram ferramentas — a declaração de Cherny é menos sobre risco e mais sobre janela: a janela para dominar orquestração de agentes antes que ela se torne commodity está aberta agora. E Boris Cherny, mais do que qualquer outra pessoa, sabe quanto tempo essa janela tem.


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Perguntas frequentes

Quem é Boris Cherny e por que ele criou o Claude Code?

Boris Cherny é engenheiro da Anthropic que criou o Claude Code originalmente como ferramenta pessoal para editar código mais rápido. Quando Dario Amodei percebeu que ele estava forçando colegas a usar, a Anthropic transformou em produto oficial. O Claude Code foi lançado em preview público em fevereiro de 2025.

O que Boris Cherny disse sobre engenheiros de software?

Em entrevista recente, Cherny afirmou que 2025 pode ser o último ano em que engenheiros de software são empregáveis na forma atual. Também revelou que não edita código manualmente desde novembro de 2024 — usando o próprio Claude Code para toda implementação.

O Claude Code realmente substitui engenheiros de software?

O Claude Code automatiza tarefas de desenvolvimento que antes exigiam horas de trabalho manual — leitura de repositório, escrita de código, execução de testes, commits e integração com CI/CD. O criador admite que supervisão humana ainda é necessária, mas a velocidade de melhoria do sistema sugere que essa dependência está diminuindo rapidamente.

O que profissionais de outras áreas devem aprender com isso?

A automação de funções de engenharia de software com 12-24 meses de defasagem está acontecendo em design, copywriting, análise de dados e outras funções especializadas. A habilidade que permanece valiosa não é a execução técnica — é o julgamento sobre o que construir, por quê e como avaliar o resultado dos agentes.

O Claude Code está disponível para empresas?

Sim. O Claude Code foi incluído nos planos Team e Enterprise da Anthropic em agosto de 2025, com ferramentas de governança para uso corporativo. Founders não-técnicos também têm acesso via programa de startups da Anthropic com créditos de API.

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